copos de cerveja

O formato dos copos de cerveja: estética ou função?

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Não faltam copos de cerveja de todos os tamanhos e feitios: pints, snifters, cálices, tulipas, canecas, flutes, etc.

Alguns copos estão historicamente associados a determinados estilos ou categorias de cerveja. Essa associação geralmente está relacionada com características da cerveja que se pretende prolongar ou evidenciar.

São também itens de merchandising importantes para as marcas de cerveja porque são muito apelativos para os coleccionadores e apreciadores mais dedicados.

No mercado encontramos cada vez mais conjuntos de copos para degustação de cerveja. Em muitos casos são entusiasticamente descritos como superiores aos restantes. As razões apresentadas geralmente têm a ver com a sua forma, protuberâncias estrategicamente colocadas e tantas outras “tecnologias” inovadoras que, dizem, justificam o preço elevado.

Mas até que ponto o copo influencia realmente as características da cerveja? Foi a essa pergunta que um estudo1 japonês tentou responder.

Os investigadores mergulharam uma rede em agentes de detecção de etanol, colocaram-na por cima de copos de vinho tinto e usaram uma câmara para detectar o que era libertado de uma variedade de copos a diferentes temperaturas.

O estudo mostrou que alguns copos, especificamente o copo de vinho comum, actuava como uma armadilha para o etanol no rebordo do copo, mantendo-o incorporado no sabor e prevenindo que interferisse com o aroma. A restrição da difusão dos componentes voláteis tem uma grande importância na optimização da experiência de beber um vinho ou cerveja.

Esta observação prova que a geometria do copo, ao afectar a libertação do gás etanol, influencia a forma como cerveja e vinho sabem. Mas neste aspecto a cerveja tem uma vantagem em relação ao vinho: a espuma.

A espuma da cerveja ajuda a manter os aromas e sabores na cerveja, por isso em muitos casos faz sentido usar um copo que promova a criação e persistência de espuma. Alguns copos de cerveja utilizados para degustar cervejas mais complexas são do tipo balão, semelhante aos de vinho, mas têm uma boca mais fechada, que promove a retenção da espuma.

O estudo também mostra como a temperatura pode alterar o sabor e aroma. Aliás, é a questão da temperatura que levou à invenção dos copos com haste. Ao segurar o copo pela haste ou pé, evitamos tocar com a palma da mão na parte do copo que contém a bebida e assim não a aquecemos.

Mas há estilos de cervejas que devem ser consumidas a temperaturas mais elevadas porque só assim certos sabores e aromas são evidentes. Cada caso é um caso, por isso é sempre desejável perceber quais as recomendações do produtor para o consumo da cerveja.

A experiência do sabor é muito subjectiva e não existem copos mágicos que transformem radicalmente uma bebida, mas, como este estudo demonstra, há alguns princípios que faz sentido seguir para tentar optimizar a experiência de degustação.

 

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