O mundo em 2018

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Um bom ano de 2018!

Terminou oficialmente a época natalícia, por isso espero voltar a ter um pouco mais de tempo para o blog.

Quando criei este blog, a ideia não era escrever exclusivamente sobre cerveja. A cerveja e o tremoço têm presença assídua em qualquer esplanada portuguesa (e não só), quando amigos ou perfeitos desconhecidos iniciam conversas e debates sobre todos os temas que possamos imaginar (apesar do futebol e política dominarem, provavelmente). É por isso acho que faz algum sentido que um blog com este nome também possa, de vez em quando, ser uma espécie de conversa de esplanada. A diferença é que neste caso a conversa é iniciada por uma espécie de monólogo – isto que estou a escrever – e depois continua na secção de comentários, se alguém quiser contribuir para a conversa.

É a primeira publicação do ano e como acho que 2018 é um ano de muitas muitas incertezas e mudanças, pensei que poderia ser interessante escrever algumas breves reflexões sobre assuntos que acho interessantes e potenciais temas para “conversas de esplanada”.

Aqui vão.

 

Aquecimento global:

  • é óbvio o aumento da frequência e gravidade de desastres como incêndios, tempestades e cheias um pouco por todo o mundo; embora a esmagadora maioria das pessoas concorde que é um problema grave a resolver, há ainda os que contestam a veracidade dos factos.
  • os mais pessimistas (ou realistas) acreditam que vamos tornar a vida neste planeta insustentável ou que este tema estará na origem da próxima grande guerra mundial.
  • têm sido tomadas muitas medidas positivas para tentar resolver este problema, mas fica a sensação de que poderíamos fazer muito mais.

 

O excesso de turismo:

  • muitas cidades, especialmente as capitais, têm os seus centros históricos dominados pelo turismo; a quantidade do alojamento disponível para não-turistas decresceu, os preços subiram em flecha e os locais foram obrigados a viver noutras zonas; isso tem um grande impacto social e cultural.
  • muitas das cidades e países mais visitados do mundo começam agora a implementar políticas para limitar o impacto do turismo: desde a limitação de número hóteis, hostels e “alojamento local” até à limitação do próprio número de turistas permitidos durante um determinado período de tempo.
  • por outro lado, há regiões que têm visto um grande crescimento de turismo (no caso de Portugal a cidade de Lisboa e do Porto e o arquipélago dos Açores são exemplos óbvios) e não parecem muito preocupadas em preparar um plano para minimizar os impactos negativos do turismo; as vantagens económicas do turismo são inegáveis, mas é importante abrir os olhos e a aprender com a experiência e erros dos outros.

 

Inteligência Artificial:

  • uma das grandes tendências tecnológicas do momento; o investimento nessa área é tão grande, que é de esperar que num futuro próximo venha a ter um impacto significativo no dia a dia das pessoas
  • é um tema que causa alguma preocupação e é compreensível, mas o risco não é o de acontecer o que vemos nos filmes de ficção científica; estamos muito (muito!) longe de criar uma inteligência com esse nível de sofisticação e é discutível se alguma vez teremos capacidade de criar uma inteligência comparável a um humano adulto; para além disso não faz qualquer sentido criar software, mesmo que dotado de IA, cuja autonomia ultrapasse o âmbito das suas funções específicas; o risco é o de alguém com pouco bom senso ou mal intencionado programar uma IA para fazer o que não deve, mas o mesmo acontece com qualquer outro tipo de software.
  • os “assistentes pessoais” da Amazon, Apple, Google, etc, e os poderosos algoritmos de IA como os de de identificação facial e de padrões de comportamento têm a contrapartida de ameaçar ainda mais a nossa privacidade.

 

Veículos autónomos:

  • não sei se a obsessão pelos veículos que se conduzem sozinhos é que veio impulsionar a pesquisa na área da Inteligência Artificial ou se foi ao contrário, mas as duas coisas estão claramente ligadas.
  • parece-me daqueles fenómenos que não resultam de um pedido do mercado (neste caso dos condutores de veículos), mas de uma corrida tecnológica para ver quem o faz mais rápido e melhor.
  • apesar das alegações de que são mais seguros e diminuem as mortes nas estradas, a verdade é que também abrem a possibilidade a um leque de novos tipos de desastres de proporções que só poderemos imaginar.
  • acho que os veículos autónomos não resolvem nenhum problema real. Para mim o problema é o excesso de veículos, por isso fará mais sentido apostar em novas formas de transporte público mais eficientes, que transportem um maior número de pessoas de forma mais rápida e mais sustentável.

 

Energias renováveis:

  • já é uma tendência há algum tempo, mas 2018 parece ser um ano de afirmação e consolidação de muitas tecnologias desta área; carros eléctricos são um bom exemplo
  • os investimentos nesta área são astronómicos e sem precedentes, veja-se o caso da China
  • apesar do governo dos EUA querer ir no sentido contrário às energias renováveis, os estados quase todos continuam a investir fortemente nesta área (a Califórnia é uma referência)

 

Tecnologia de blockchain e as criptomoedas:

  • a Bitcoin veio criar uma espécie de revolução, mas actualmente existem milhares de moedas virtuais e outras aplicações suportadas pela tecnologia de blockchain e criptografia
  • os mais conservadores afirmam que é apenas uma moda e que a moeda virtual nunca será estável e que por isso não vingará, mas a tecnologia por detrás destas moedas virtuais permite muito mais do que gerir uma moeda; há projectos relacionados com liberdade de expressão, independência do voto, partilha de informação, micro-pagamentos, redes sociais, etc
  • há muito tempo que não surgia uma tecnologia com tanto potencial de ser disruptiva como a tecnologia de blockchain
  • mesmo que a dita “bolha” da Bitcoin rebente, a tecnologia de base veio para ficar e 2018 parece ser o ano da sua afirmação

 

O poder das redes sociais:

  • as redes sociais têm muitos méritos, mas plataformas como o Facebook tornaram-se tão grandes e poderosas que podem até influenciar as eleições de um país
  • tentam afirmar-se como “plataformas tecnológicas” (ou outro nome pomposo) para fugirem à regulamentação a que a comunicação social mais tradicional está sujeita, mas há sinais de que isso começou a mudar, pelo menos na União Europeia
  • o Facebook sabe que as notícias falsas e clickbait são problemas graves que têm entre mãos e estão a fazer todos os possíveis para resolver esse problema, mas não é um problema de fácil resolução
  • não acredito que o Facebook seja demasiado grande para falhar e acredito que isso possa acontecer se não souber reinventar-se; na ainda curta história das redes sociais, podemos identificar de casos de migração em massa de utilizadores para novas redes sociais; isso acontece geralmente com utilizadores mais jovens porque querem redes sociais diferentes e mais inovadoras, ou simplesmente porque os seus familiares – pais e avós, principalmente – começaram a adoptar as mesmas redes sociais e invadiram o seu espaço e “privacidade”; vejo muitas “migrações” do Facebook para o Instagram, por exemplo.
  • as redes sociais também tiveram o poder de nos mostrar (ou relembrar) que existe tanta gente detestável neste mundo: “As redes sociais deram voz aos imbecis”, disse Umberto Eco.

 

Trump:

  • apresentou-se como candidato “anti-sistema” e fez-se presidente “anti-democracia”
  • tenho dificuldade em debater o Trump em termos políticos quando não acho que ele tenha sequer os requisitos mínimos exigidos a um ser humano adulto
  • há uns meses estava a pensar como o conceito de “sonho americano” mudou completamente: antes significava que qualquer pessoa, mesmo de origens humildes, poderia acabar por ser presidente dos EUA se trabalhasse e lutasse por isso, mas hoje em dia parece significar que qualquer pessoa, literalmente, pode chegar a presidente dos EUA
  • a política norte-americana é cada vez mais um reality show e os escândalos são tantos e tão frequentes que muitos dos cidadãos que estão indignados com esta presidência parecem ter perdido a capacidade de foco e energia para protestar
  • eu prevejo que o Trump sairá “pela porta pequena” e o seu império e fortuna sofrerá muito com esta brincadeira de fazer de conta que é um presidente de um país. Ah, e a Oprah ainda será presidente… (e não estou convencido de que isso seja positivo)

 

E pronto. Se alguém quiser participar numa conversa de esplanada sobre qualquer um destes temas, estarei atento à secção de comentários do blog 🙂

4 comentários

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  • Quem tem milhões de bitcoins é rico? E pode comprar uma casa enorme e um carro espetecular?

    Cristina 5 meses atrás Responder


    • Sem dúvida. Mas nem é preciso ter milhões, basta algumas dezenas (depende do conceito de “rico de cada um), se tivermos em conta que neste momento 1 Bitcoin = €10975 🙂 . E já esteve mais próximo dos €20000. Durante o dia tem por vezes flutuações de quase €1000.
      Este gráfico mostra o valor das moedas virtuais de topo: https://walletinvestor.com/?CurrencyCryptoRatesSearch%5Bsymbol%5D=&currentCurrency=EUR

      Rui Leal 5 meses atrás Responder


      • E posso pagar dívidas ao banco com bitcoins?

        Maria Cristina Codorniz 5 meses atrás Responder


        • Directamente não, porque não aceitam moeda virtual (os nossos pelo menos). Mas é possível converter Bitcoin (e outras moedas virtuais) em euros primeiro (através de determinadas entidades que fazem isso por uma pequena comissão), e depois transferir o dinheiro para a conta bancária.

          Rui Leal 5 meses atrás


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